segunda-feira, 21 de abril de 2014

47) "Eu " Contra "Eu" (Ótima história)

 "Eu " Contra "Eu" (Ótima história)

     Quando o Homem ainda jovem desejou cometer o primeiro desatino, aproximou-se o Bom Senso e observou-lhe:
     - Detém-te! Por que te confias assim ao mal?
     O interpelado, porém respondeu orgulhoso:
     - Eu quero.
     Passando, mais tarde, à condição de perdulário e adotando a extravagância e a loucura por normas de viver, apareceu a Ponderação e aconselhou-o:
     - Pára! Por que te consagras, desse modo, ao gasto inconseqüente?
     Ele, contudo, esclareceu jactancioso:
     - Eu posso.
     
     Mais tarde, mobilizando os outros a serviço da própria insensatez, recebeu a visita da Humildade, que lhe rogou, piedosa:
     - Reflete! Por que te não compadeces dos mais fracos e dos mais ignorantes?
     O infeliz, todavia, redargüiu colérico.
     - Eu mando. 
     Absorvendo imensos recursos, inutilmente, quando poderia beneficiar a coletividade, abeirou-se dele o Amor e pediu:
     - Modifica-te! Sê caridoso! Como podes reter o rio das oportunidades sem socorrer o campo das necessidades alheias?
      E o mísero informou:
     - Eu ordeno.

     Praticando atos condenáveis, que o levaram ao pelourinho da desaprovação pública, a Justiça acercou-se dele e recomendou?
     - Não prossigas! Não te dói ferir tanta gente?
     O infortunado, entretanto, acentuou implacável:
     - Eu exijo.
     E assim viveu o Homem, acreditando-se o centro do Universo, reclamando, oprimindo e dominando, sem ouvir as sugestões das virtudes que iluminam a Terra, até que, um dia, a Morte o procurou e lhe impôs a entrega do corpo físico.
     
     O desditoso entendeu a gravidade do acontecimento, prosternou-se diante dela e considerou:
     - Morte, por que me buscas?
     - Eu quero-disse ela.
     - Por que me constranges a aceitar-te?...gemeu triste.
     - Eu posso-retrucou a visitante.
     - Como podes atacar-me deste modo?
     - Eu mando.
     - Que poderes te movem?
     - Eu ordeno.
     - Defender-me-ei contra ti -clamou o Homem, desesperado-, duelarei e receberás a minhamaldição!...
    
      Mas a Morte sorriu imperturbável, e afirmou:
     - Eu exijo.
     E, na luta do "eu", contra "eu", conduziu-o à casa da Verdade para maiores lições.

Contos E Apólogos (capítulo 5)
(psicografia:Francisco Candido Xavier)
Pelo Espírito Irmão X

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