terça-feira, 16 de maio de 2017

110) A Jornada Redentora (excelente)




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A jornada redentora

       Aberta a doce conversação da noite, em torno da Boa Nova, a esposa de Zebedeu perguntou, reverente, dirigindo-se a Jesus:
       — Senhor, como se verificará nossa jornada para o Reino Divino?
       O Cristo pareceu meditar alguns momentos e explanou:
       — Num vale de longínquo país, alguns judeus cegos de nascença habituaram-se à treva e à miséria em que viviam, e muitos anos permaneciam na furna em que jaziam mergulhados, quando iluminado irmão de raça por lá passou e falou-lhes da profunda beleza do Monte Sião, em Jerusalém, onde o povo escolhido adora o Supremo Pai. 
       Ao lhe ouvirem a narrativa, todos os cegos experimentaram grande comoção e lastimaram a impossibilidade em que se mantinham.
       O vidente amigo, porém, esclareceu-lhes que a situação não era irremediável. 
Se tivessem coragem de aplicar a si mesmos determinadas disciplinas, com abstinência de variados prazeres de natureza inferior a que se haviam acostumado nas trevas, poderiam recobrar o contacto com a luz, avançando na direção da cidade santa.
       A maioria dos ouvintes recebeu as sugestões com manifesta ironia, assegurando que os progenitores e outros antepassados haviam sido igualmente cegos e que se lhes afigurava impossível a reabilitação dos órgãos visuais.
       Um deles, porém, moço corajoso e sereno, acreditou no método aconselhado e aplicou-o.
       Entregou-se primeiramente às disciplinas apontadas e, depois de quatro anos de meditações, trabalho intenso e observação pessoal da Lei, com jejuns e preces, obteve a visão.
       Quase enlouqueceu de alegria.
       Em êxtase, contou aos companheiros a sublimidade da experiência, comentando a largueza do céu e a beleza das árvores próximas; 
contudo, ninguém acreditou nele.
       Não obstante ser tomado por demente, o rapaz não desanimou.
       Agora, enxergava o caminho e conseguiria avançar.
       Ausentou-se do vale fundo, mas, sem qualquer noção de rumo, vagueou dias e noites, em estado aflitivo. 
       Atacado por lobos e víboras em grande número, usava a maior cautela, reconhecendo a própria inexperiência, até que, certa manhã, abeirando-se de um esconderijo cavado na rocha, para colher mel silvestre, foi aprisionado por um ladrão que lhe exigiu a bolsa;
       Entretanto, como não possuísse dinheiro, deixou-se escravizar pelo malfeitor que durante cinco anos sucessivos o reteve em trabalho incessante. 
O servo, porém, agiu com tamanha bondade, multiplicando os exemplos de abnegação, que o espírito do perseguidor se modificou, fazendo-se mais brando e reformando-se para o bem, restituindo-lhe a liberdade.
       Emancipado de novo, o crente fiel recomeçou a jornada, porque a ânsia de alcançar o templo divino povoava-lhe a mente.
       
       Pôs-se a caminho, distribuindo fraternidade e alegria com todos os viajores que lhe cruzassem a estrada, mas, atingindo um vilarejo onde a autoridade era exercida com demasiado rigor, foi encarcerado como sendo um criminoso desconhecido; no entanto, sabendo que seria
traído pelas próprias forças insuficientes, caso buscasse reagir, deixou-se trancafiar até que o problema fosse resolvido, o que reclamou longo tempo. 
       Nunca, entretanto, se revelou inativo no exercício do bem. Na própria cadeia que lhe feria a inocência, encontrou vastíssimas oportunidades para demonstrar boa-vontade, amor e tolerância, sensibilizando as autoridades, que o libertaram enfim.
       O ideal de atingir o santuário sublime absorvia-lhe o pensamento e prosseguiu na marcha;
       todavia, somente depois de vinte anos de lutas e provas, das quais sempre saía vitorioso, é que conseguiu chegar ao Monte Sião para adorar o Supremo Senhor.
       O Mestre interrompeu-se, vagueou o olhar pela sala silenciosa e rematou:
       — Assim é a caminhada do homem para o Reino Celestial.
       Antes de tudo, é preciso reconhecer a sua condição de cego e aplicar a si mesmo os remédios indicados nos mandamentos divinos.    
       Alcançado o conhecimento, apesar da zombaria de quantos o rodeiam em posição de ignorância, é compelido a marchar por si mesmo, e sozinho quase sempre, do escuro vale terrestre para o monte da claridade divina, aproveitando todas as oportunidades de servir, indistintamente, ainda mesmo aos próprios inimigos e perseguidores.
       Quando o seguidor do bem compreende o dever de mobilizar todos os recursos da jornada, em silêncio, sem perda de tempo com reclamações e censuras, que somente denunciam inferioridade, então estará em condições de alcançar o Reino, dentro do menor prazo, porque viverá plasmando as próprias asas para o vôo divino, usando para isso a disciplina de si mesmo e o trabalho incessante pela paz e alegria de todos.



do livro - Jesus no Lar
Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Neio Lúcio

sábado, 6 de maio de 2017

109) Estranha Moral


CAPÍTULO XXIII - Estranha Moral


       1. Como nas suas pegadas caminhasse grande massa de povo, Jesus, voltando-se, disse-lhes: 
       - Se alguém vem a mim e não odeia a seu pai e a sua mãe, a sua mulher e aseus filhos, a seus irmãos e irmãs, mesmo a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 
       -E quem quer que não carregue a sua cruz e me siga, não pode ser meu discípulo. 
       - Assim, aquele dentre vós que não renunciar a tudo o que tem não pode ser meu discípulo. (S. LUCAS, cap. XIV, vv. 25 a 27 e 33.)

       2. Aquele que ama a seu pai ou a sua mãe, mais do que a mim, de mim não é digno; aquele que ama a seu filho ou a sua filha, mais do que a mim, de mim não é digno. (S. MATEUS, cap. X, v. 37.)

       3. Certas palavras, aliás muito raras, atribuídas ao Cristo, fazem tão singular contraste com o seu modo habitual de falar que, instintivamente, se lhes repele o sentido literal, sem que a sublimidade da sua doutrina sofra qual quer dano. 
       Escritas depois de sua morte, pois que nenhum dos Evangelhos foi redigido enquanto ele vivia, lícito é acreditar-se que, em casos como este, o fundo do seu pensamento não foi bem expresso, ou, o que não é menos provável, o sentido primitivo, passando de uma língua para outra, há de ter experimentado alguma alteração. 

     Basta que um erro se haja cometido uma vez, para que os opiadores o tenham repetido, como se dá freqüentemente com relação aos fatos históricos.
       O termo odiar, nesta frase de S. Lucas: Se alguém vem a mim e não odeia a seu pai e a sua mãe, está compreendido nessa hipótese. 
       A ninguém acudirá atribuí-la a Jesus. Será então supérfluo discuti-la e, ainda menos, tentar justificá-la. Importaria, primeiro, saber se ele a pronunciou e, em caso afirmativo, se, na língua em que se exprimia, a palavra em questão tinha o mesmo valor que na nossa. 

       Nesta passagem de S. João: 
       "Aquele que odeia sua vida, neste mundo, a conserva para a vida eterna", é indubitável que ela não exprime a idéia que lhe atribuímos.
       A língua hebraica não era rica e continha muitas palavras com várias significações.
       Tal, por exemplo, a que no Gênese, designa as fases da criação:      
       servia, simultaneamente, para exprimir um período qualquer de tempo e a revolução diurna. 

       Daí, mais tarde, a sua tradução pelo termo dia e a crença de que o mundo foi obra de seis vezes vinte e quatro horas. 
       Tal, também, a palavra com que se designava um camelo e um cabo, uma vez que os cabos eram feitos de pêlos de camelo. 

       Daí o haverem-na traduzido pelo termo camelo, na alegoria do
buraco de uma agulha. (Ver capítulo XVI, nº 2.) (1)
__________
       (1) Non odit, em latim: Kaï ou miseï em grego, não quer dizer odiar, porém, amar menos. 
       O que o verbo grego miseïn exprime, ainda melhor o expressa o verbo hebreu, de que Jesus se há de ter servido. 
       Esse verbo não significa apenas odiar, mas, também amar menos, não amar igualmente, tanto quanto a um outro. 

       No dialeto siríaco, do qual, dizem, Jesus usava com mais freqüência, ainda melhor acentuada é essa significação. Nesse sentido é que o Gênese (capítulo XXIX, vv. 30 e 31) diz: “E Jacob amou também mais a Raquel do que a Lia, e Jeová, vendo que Lia era odiada...” 

       É evidente que o verdadeiro sentido aqui é: menos amada. 
       Assim se deve traduzir. 
       Em muitas outras passagens hebraicas e, sobretudo, siríacas, o mesmo verbo é empregado no sentido de não amar tanto quanto a outro, de sorte que fora contra-senso traduzi-lo por odiar, que tem
outra acepção bem determinada. 
       O texto de S. Mateus, aliás, afasta toda a dificuldade. - ( Nota do Sr.
Pezzani.)

O Evangelho Segundo O Espiritismo- CAPÍTULO XXIII - ESTRANHA MORAL - Allan Kardec

quarta-feira, 26 de abril de 2017

108) Missão Do Homem Inteligente Na Terra (excelente!)



Missão Do Homem Inteligente Na Terra


       13. Não vos ensoberbais do que sabeis, porquanto esse saber tem limites muito estreitos no mundo em que habitais. 
       Suponhamos sejais sumidades em inteligência neste planeta:    
       Nenhum direito tendes de envaidecer-vos. Se Deus, em seus desígnios, vos fez nascer num meio onde pudestes desenvolver a vossa inteligência, é que quer a utilizeis para o bem de todos; 
       É uma missão que vos dá, pondo-vos nas mãos o instrumento com que podeis desenvolver, por vossa vez, as inteligências retardatárias e conduzi-las a ele. 

       A natureza do instrumento não está a indicar a que utilização deve prestar-se? 
       A enxada que o jardineiro entrega a seu ajudante não mostra a este último que lhe cumpre cavar a terra? Que diríeis, se esse ajudante, em vez de trabalhar, erguesse a enxada para ferir o seu patrão? 
       Diríeis que é horrível e que ele merece expulso. 
       Pois bem: não se dá o mesmo com aquele que se serve da sua inteligência para destruir a idéia de Deus e da Providência entre seus irmãos? 
       Não levanta ele contra o seu senhor a enxada que lhe foi confiada para arrotear o terreno? 
       Tem ele direito ao salário prometido? 
       Não merece, ao contrário, ser expulso do jardim? Sê-lo-á, não duvideis, e atravessará existências miseráveis e cheias de humilhações, até que se curve diante dAquele a quem tudo deve.


       A inteligência é rica de méritos para o futuro, mas, sob a condição de ser bem empregada. 
  Se todos os homens que a possuem dela se servissem de conformidade com a vontade de Deus, fácil seria, para os Espíritos, a tarefa de fazer que a Humanidade avance.
      Infelizmente, muitos a tomam instrumento de orgulho e de perdição contra si mesmos. 
       O homem abusa da inteligência como de todas as suas outras faculdades e, no entanto, não lhe faltam ensinamentos que o advirtam de que uma Poderosa Mão pode retirar o que lhe concedeu. 

- Ferdinando, Espírito protetor. (Bordéus, 1862.)

O Evangelho Segundo O Espiritismo - Allan Kardec
Missão Do Homem Inteligente Na Terra 
Capítulo VII Bem-Aventurados Os Pobres De Espírito
ítem 13


sexta-feira, 24 de março de 2017

terça-feira, 14 de março de 2017

sábado, 11 de fevereiro de 2017

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

102) Situação Do Espírito Desencarnado (ótima explicação!)





Situação Do Espírito Desencarnado

       O transe da morte é sempre um estado de crise para qualquer indivíduo, variando conforme o adiantamento moral de cada um. Daí a passagem do estado da matéria para a vida espiritual acarretar uma espécie de perturbação mais ou menos longa, até que se quebrem todos os elos entre o Espírito e sua organização física.

       Essa crise é um fenômeno natural. 
       Pensemos na hipótese de alguém ter de mudar, abruptamente, do Nordeste brasileiro para um país europeu ou vice versa. 
       A mudança repentina implicaria um distúrbio tal no indivíduo, que este levaria algum tempo para se descondicionar do ambiente anterior e se adaptar às novas e diferentes condições de vida. 
       Que diremos, então, da morte em que o fenômeno de desagregação do corpo processa uma modificação muito mais violenta? 
       Além disso, vários fatores intervêm na situação do desencarnado logo após a morte: 
       - A idade em que ocorreu a desencarnação (jovem ou idoso?), 
       - O tipo de morte (natural ou violenta? ), 
       - Se era apegado ou desprendido dos bens materiais, 
       - Se tinha bons hábitos ou vícios inveterados, 
       - Se possuía idéias materialistas ou espiritualistas. 

       Daí a necessidade do adormecimento do Espírito, logo após o desprendimento do corpo físico, para se refazer do transe da morte.

       Antes, porém, que o Espírito adormeça, ocorre o interessante fenômeno de recordação da vida passada, em que um panorama desfila ante seus olhos.    
       Tem-se notícia de que, em fração de segundo, o Espírito revê, minuciosamente, todos os fatos da vida terrena que acabou de deixar, cena após cena, desde a infância até a desencarnação, desde o incidente mais insignificante até o acontecimento mais importante. 
       Naquele momento, o Espírito é capaz de avaliar causas e consequências de todos os seus atos, sejam bons ou maus, como um registro para aproveitamento em vidas futuras. 
       Só depois, sobrevêm o sono cujo tempo varia de Espírito para Espírito.

       O juiz John Worth Edmonds, que era notável médium psicógrafo, falante e vidente, escreveu longa mensagem de seu amigo desencarnado, o juiz Peckam, a quem ele muito estimava. 
      Nessa época ainda não era conhecido pelos psicólogos, o fenômeno da visão panorâmica. Afirma, então, o Espírito Peckam:

       "- No momento da morte, revi, como num panorama, os acontecimentos de toda a minha existência. Todas as cenas, todas as ações que eu praticara passaram ante meu olhar, como se se houvessem gravado na minha mentalidade, em fórmulas luminosas. 
       Nem um só dos meus amigos, desde a minha infância até a morte, faltou à chamada. 
       Na ocasião em que mergulhei no mar, tendo nos braços minha mulher, apareceram-me meu pai e minha mãe e foi esta quem me tirou da água, mostrando uma energia, cuja natureza só agora compreendo. (A Crise da Morte, de Ernesto Bozzano)."

       Por seu turno, o Espírito, que em vida se chamou Dr. Horace Abraham Ackley, relata como se passaram os primeiros momentos após o seu despertamento no Mundo Espiritual: 
       "- Logo que voltei a mim, todos os acontecimentos de minha vida me desfilaram sob as vistas, como num panorama; 
       eram visões vivas, muito reais, em dimensões naturais, como se o meu passado se houvera tornado presente. 
       Foi todo o meu passado que revi, compreendido o último episódio: o da minha desencarnação. 
       A visão passou diante de mim com tal rapidez, que quase não tive tempo de refletir, achando-me como que arrebatado por um turbilhão de emoções. 
       A visão, em seguida, desapareceu com a mesma instantaneidade com que se mostrara; 
       às meditações sobre o passado e o futuro, sucedeu em mim vivo interesse pelas condições atuais. (A Crise da Morte, de Ernesto Bozzano)."

     Muitas pessoas indagam: Como é possível alguém que passa por incontáveis "mortes", experimenta o estado de erraticidade, e reencarna várias vezes, esquecer que existe o Mundo Espiritual? 
       Explicam, então, os Espíritos codificadores que a situação de esquecimento ou perturbação nunca é definitiva. Ela é transitória, e a lembrança, mais ou menos rápida, das vidas anteriores dependerá do grau de evolução de cada Espírito. 
       C. W. Leadebeater, em Auxiliares Invisíveis, comenta sobre o mal que os ensinamentos errôneos a respeito da condição do Espírito após a morte provocam na Humanidade, principalmente no mundo ocidental. 
       Certas religiões assustam os seus adeptos, criando neles muita perturbação e surpresa quando chegam no Mundo Espiritual. 
       Conta ele o exemplo de um inglês que, em uma mensagem transmitida três dias depois de morto, narrou que, encontrando um grupo de Espíritos amigos, perguntou:

       "— Mas, se eu estou morto, onde é que estou? 
       Se isto é o céu, não me parece grande coisa; se é o inferno, é melhor do que eu esperava!"
       Surpresa semelhante tem o Espírito Monsenhor Robert Hugh Benson.     
       Relata ele, em "A Vida nos Mundos Invisíveis", obra recebida pelo médium Anthony Borgia, que, durante todo o período que sucedeu a sua última desencarnação, nenhuma idéia lhe ocorrera sobre tribunal de julgamento ou juízo final como sugerira a religião ortodoxa. 
       Esses conceitos e os de céu e inferno lhe pareceram totalmente impossíveis e, na realidade, fantasias absurdas.

       Em "A Vida no Outro Mundo", seu autor, Cairbar Schutel, combate a idéia de que nada existe após a morte, e que se o Espírito não é imortal, (...) a vida é uma farsa que começa no berço e se acaba no túmulo. 
       Como vimos anteriormente, os Espíritos levam consigo, para o Além-Túmulo, as qualidades boas ou más, todos os vícios e costumes e todos os conhecimentos e aptidões. 

       Os criminosos vêem-se mergulhados em profundas trevas e só ouvem os lamentos de suas vítimas. 
       Os suicidas só têm, na mente, o seu ato tresloucado. 
       Allan Kardec, na Revista Espírita de maio de 1862, no capítulo intitulado "Uma Paixão de Além-Túmulo", reporta-se ao suicídio, por amor, de um garoto de 12 anos de idade. 
       Perguntado sobre sua situação, o jovem responde:

       "- (. . .) Meu corpo lá estava inerte e frio e eu planava em volta dele; chorava lágrimas quentes. Vocês se admiram das lágrimas de uma alma. Oh! Como são quentes e escaldantes! Sim, eu chorava, porque acabava de reconhecer a enormidade de meu erro e a grandeza de Deus!. . . Entretanto, não tinha certeza de minha morte; pensava que meus olhos se fossem abrir..." .

       O sofrimento dos Espíritos desencarnados é proporcional ao tipo de vida que levaram e ao maior ou menor apego que tenham à vida material. 
       Durante a crise da morte, eles lutam para reter a vida corporal que lhes foge, e esse sentimento se prolongará por muito tempo. 
       Aqueles muito ligados à vida material erram pelas vizinhanças do lar e do local do trabalho... 
       ...julgam-se ainda vivos e pretendem participar dos negócios de que se ocupavam quando encarnados. 
       Os viciados e libertinos continuam a sentir enorme ansiedade e procuram a convivência de devassos que lhes saciem os apetites sexuais e os vícios. 
       O avarento fica em estado de angústia, por não poder impedir que os herdeiros esbanjem a fortuna amealhada durante a vida terrena.

       Em "Primeiras Impressões de Um Espírito", mensagem transmitida pelo Espírito Delphine de Girardin à médium Sra. Gostel, na Sociedade Espírita de Paris, consta, dentro da sua perspectiva, o seguinte: 
       " - Falarei da estranha mudança que se opera no Espírito após a libertação.       Ele se evapora dos despojos que abandona, como uma chama se desprende do foco que a produziu...; 
       ...depois se dá uma grande perturbação e essa dúvida estranha: 
       - Estou morto ou vivo? "
       
       "A ausência das sensações primárias produzidas pelo corpo espanta e imobiliza, por assim dizer. 
       Assim como um homem habituado a um fardo pesado, nossa alma, aliviada de repente, não sabe o que fazer de sua liberdade...; 
       ...depois o espaço infinito, as maravilhas sem número dos astros, sucedendo-se num ritmo harmonioso, os Espíritos solícitos, flutuando no ar e deslumbrantes de luz sutil, que parece atravessá-los, o sentimento da libertação que inunda, de súbito, a necessidade de lançar-se também, no espaço como pássaros que querem treinar suas asas,... 
       ...tais são as primeiras impressões que todos nós sentimos." (Revista Espírita, de Allan Kardec, novembro de 1860, n° 11).

       Temos informações, através de várias mensagens, que, no Além, assim como no Aquém, existem vagabundos, saltimbancos e fanfarrões. 
       Existem, da mesma maneira, aqueles que se propõem a auxiliar os companheiros atrasados e, ainda, os que preferem trabalhar pelo seu próprio aprimoramento. 
       Sócrates e Platão disso já tinham conhecimento e afirmavam:

       "- A alma impura, nesse estado, encontra-se pesada, é novamente arrastada para o mundo visível, pelo horror do que é invisível e imaterial. 
       Ela erra, segundo se diz, ao redor dos monumentos e dos túmulos, juntos dos quais foram vistos, às vezes fantasmas, como devem ser as imagens das almas que deixaram o corpo sem estar inteiramente puras, e que conservam alguma coisa de forma material, o que permite aos nossos olhos percebê-las." 

       Essas não são as almas dos bons, mas as dos maus, que são forçadas a errar nesses lugares, onde carregam as penas de sua vida passada, e onde continuam a errar, até que os apetites inerentes às suas respectivas formas materiais façam-nas devolver a um corpo. Então, elas retornam, sem dúvida aos mesmos costumes que, durante a vida anterior, eram de sua predileção. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec)"

       Como Deus não se compraz com o sofrimento eterno de seus filhos, passada uma fase de depuração dos fluidos mais densos, sobrevêm ao Espírito o sono reparador a que estão sujeitos todos os recém-chegados ao Mundo Espiritual. 
       Nesse momento, Espíritos amigos e familiares recolhem os recém-desencarnados e os levam para as diversas estações de repouso. 
       Ao despertar desse sono — que pode variar de horas a séculos —, o Espírito desencarnado começa a perceber o que está em sua volta. Surpreende-se ao encontrar um ambiente muito semelhante ao da Terra. Por esse motivo, muitos pensam que ainda estão vivos.


       E, só a partir de uma tomada de consciência da realidade em que se encontram, surgirão para eles novas oportunidades: estudos, tarefas, trabalho assistencial, tudo de acordo com o seu adiantamento espiritual, sua capacidade e suas necessidades. 
       Comentando as palestras familiares que estabelece com o Além-Túmulo, Allan Kardec diz a respeito da desencarnação:

       " - Extinguindo-se as forças vitais, o Espírito se desprende do corpo no momento em que cessa a vida orgânica. Mas separação não é brusca ou instantânea. Por vezes começa antes da cessação completa da vida; nem sempre é completada no instante da morte. 
       Sabemos que entre o Espírito e o corpo existe um liame semi-material, que constitui o primeiro envoltório. Este liame não se quebra subitamente. E, enquanto subsiste, fica o Espírito num estado de perturbação comparável ao que acompanha o despertar.
       (. . .) ao entrar no mundo dos Espíritos é acolhido pelos amigos que o vêm receber, como se voltasse de penosa viagem. 
       Se a travessia foi feliz, isto é, se o tempo de exílio foi empregado de maneira proveitosa para si e o elevou na hierarquia do mundo dos Espíritos, eles o felicitam. 
       Ali reencontra os conhecidos, mistura-se aos que o amam e com ele simpatizam, e então começa, para ele, verdadeiramente, a sua nova existência. (Revista Espírita, abril de 1959, no 4, de Allan Kardec)."


       Na erraticidade, o Espírito não adquire, imediatamente, o saber e a virtude; antes, conserva sua inteligência ou ignorância, idéias, concepções, ódios ou afeições. 
       O que se abala com o desligamento do corpo é a memória, e a sua lucidez retornará segundo o nível moral do desencarnado e à medida que se apagam as impressões terrenas. 
       Se o Espírito errante tem bons propósitos, ele progride nos aspectos intelectual, moral e espiritual, podendo trazer-nos, mais tarde, as notícias das Colônias Espirituais onde estagiou, uma vez que, enquanto recebe tratamento no corpo perispiritual, o Espírito desencarnado se instrui.

       Devido à diversidade de nossos caracteres, — aptidões, sentimentos, vícios, virtudes e hábitos — as condições de vida no Além são de uma diversidade infinita, daí as diferenças no conteúdo das mensagens. 
       Existem, também, Espíritos tão evoluídos e depurados (Espíritos puros ou perfeitos) sobre os quais a Terra não mais exerce atração. Estes habitam as regiões menos densas e só reencarnam para cumprir missões especiais, como aconteceu com Jesus, Buda e Confúcio, além de outros grandes missionários.

       postagem extraída do blog "Peregrinos Do Evangelho No Lar"

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

99) Homem Rico,... Homem Pobre...(mensagem perfeita!)



       15. Meus caros amigos, todos os dias ouço entre vós dizerem: "Sou pobre, não posso fazer a caridade", e todos os dias vejo que faltais com a indulgência aos vossos semelhantes.

       Nada lhes perdoais e vos arvorais em juizes muitas vezes severos, sem quererdes saber se ficaríeis satisfeitos que do mesmo modo procedessem convosco. Não é também caridade a indulgência? 
       Vós, que apenas podeis fazer a caridade praticando a indulgência, fazei-a assim, mas fazei-a largamente. 

       Pelo que toca à caridade material, vou contar-vos uma história do outro mundo.

       - Dois homens acabavam de morrer. 
       Dissera Deus: 
       - Enquanto esses dois homens viverem, deitar-se-ão em sacos diferentes as boas ações de cada um deles, para que por ocasião de sua morte sejam pesadas. 
       Quando ambos chegaram aos últimos momentos, mandou Deus que lhe trouxessem os dois sacos. 
       Um estava cheio, volumoso, cheio, e nele ressoava o metal que o enchia; o outro era pequenino e tão vazio que se podiam contar as moedas que continha. 

       - Este o meu, disse um, reconheço-o; fui rico e dei muito. 
       - Este o meu, disse o outro, sempre fui pobre, oh! quase nada tinha para repartir. 
       Mas, oh! surpresa! postos na balança os dois sacos, o mais volumoso se revelou leve, mostrando-se pesado o outro, tanto que fez se elevasse muito o primeiro no prato da balança. Deus, então, disse ao rico:

       - Deste muito, é certo, mas deste por ostentação e para que o teu nome figurasse em todos os templos do orgulho e, ao demais, dando, de nada te privaste. Vai para a esquerda e fica satisfeito com o te serem as tuas esmolas, contadas por qualquer coisa. 
       Depois, disse ao pobre: 
       - Tu deste pouco, meu amigo; mas, cada uma das moedas que estão nesta balança representa uma privação que te impuseste; não deste esmolas, entretanto, praticaste a caridade, e, o que vale muito mais, fizeste a caridade naturalmente, sem cogitar de que te fosse levada em conta; foste indulgente; não te constituíste juiz do teu semelhante; ao contrário, todas as suas ações lhe relevaste: 
       - Passa à direita e vai receber a tua recompensa. 

-
Um Espírito protetor. (Lyon, 1861.)
do livro "Evangelho Segundo O Espiritismo" 
-  Cap 13 - Não Saiba A Vossa Mão Esquerda, O Que Dê A Vossa Mão Direita.

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